O Preconceito; por Verinaldo Enéas

No decorrer da história o preconceito sempre se fez presente. Por outro lado tem sido um tema de debate entre estudiosos, pesquisadores, filósofos, psicólogos, autoridades de diversos segmentos, entre outros. Observa-se que o tempo passou, todavia os valores são outros, porém, o preconceito continua no meio da sociedade, entre todas as camadas sociais.

O preconceito existe colado à ignorância, são irmão gêmeos, quase o mesmo DNA. O preconceito não se reduz a uma ideia pré-concebida, ele também é emocionalmente desenvolvido. O preconceito tem essas duas faces, é falta de conhecimento e é produtor de desafeto.

O preconceito ao exigir pouca desenvoltura da razão utiliza a repulsa da emoção para se materializar, perpetuando, historicamente construído e compartilhado.  É sedutor e fluente porque exige pouca reflexão e compreensão da realidade.

Voltaire disse que o preconceito é uma opinião não submetida a razão. Tornou-se crença, tem origem inconsciente, não se apóia em nenhuma evidência. Não requer trabalho, é parente da preguiça, diferente do conhecimento.

O preconceito é inquisidor, pré-julga e pode torturar ou matar, sem nenhuma legitimidade para tal, é dotado certezas. É apressado e contagioso, só se reproduz onde é aceito. Nós, individualmente e em grupos sociais, aceitamos o preconceito? Naturalizamos aquilo que de natural não tem nada?

Estamos evoluindo ao diminuir os espaços em que o preconceito é aceito, ou estamos perdendo a briga? A inteligência humana, para além da sua concepção técnica, é incompatível com a intolerância.

O preconceito é a destreza do desprezo, é a casa do descaso. É a indiferença na sua excelência, é o pior que temos para oferecer como espécie.

O único aspecto alentador de tudo isso é que o preconceito é desmontável, pode ser desfeito, invalidado. Basta mente e coração aberto, oportunidades, estudo, vontade e uma humana coragem.

vivemos num momento que parece não existir nenhum constrangimento em ser preconceituoso ou demonstrar discriminações. Seja o racismo, a homofobia, o machismo, a gordofobia e outros "ismos" e "fobias", são apresentadas de uma maneira quase natural (ou será mesmo considerada normal?) por aqueles que justificam fazer uso da "liberdade de expressão". Ofender o outro é permitido, segundo essa justificação. O incentivo a essa prática de "liberdade" (desculpem-me tantas aspas) cresce à medida que humoristas, políticos, religiosos, cantores e outras personalidades públicas exercem esse "direito" de humilhar aqueles que fogem do padrão aceito ou insinuar que não merecem respeito.

Quantas vezes ouvimos, quando criança, que homem não chora, que meninos não brincam de bonecas, que a cor que simboliza o masculino é azul. Enfim, desde a infância, a lavagem cerebral acontece com o propósito de criar o macho ideal: aquele que anda pelas ruas cuspindo no chão ou coçando o saco em público. Isso para não falar que esse tipo tem a obrigação de olhar para uma bela mulher, com a intenção de ficar com ela. Mesmo que jamais consiga. Afinal, é preciso mostrar que é muito homem.

Grosseria, palavra que deve definir o que é ser homem de verdade. Educação e cortesia exageradas ou a demonstração de afeto são coisas que um homem hétero jamais poderá ter. Caso contrário, o risco de ser considerado gay é enorme. E, pelo que presenciamos, é arriscado mesmo ser visto como um homossexual, pois, devido a violência contra esses, pode-se sofrer toda sorte de discriminação.

O ser humano gosta de julgar, fazer papel de juiz, olhar a vida dos outros, esquecendo de cuidar de sua própria vida. Fica o convite a todos para uma reflexão. Evite JULGAR, faça uma auto avaliação de sua própria pessoa, da sua conduta, do seu comportamento como cidadão, como ser humano. O papel de julgar cabe a justiça, mediante as leis, e principalmente a Deus juiz do universo. Assim, teremos uma sociedade mais justa e fraterna.

(O Presente texto tem como base os artigos de Carlos Beloto e Gregório Grisa, colunistas conceituados).

Verinaldo Enéas
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