O vice-presidente, general Antônio Hamilton Mourão (PRTB), declarou hoje que, se o pedido de impeachment contra ele prosperar, ele “volta para a praia”. o pedido de impeachment protocolado por um dos vice-líderes do governo no Congresso, deputado federal Marco Feliciano (Podemos-SP), na última terça-feira (16) após curtir tuíte da jornalista paraibana Rachel Sherezadade.

“Ok. Sem comentários. Sem comentários. Isso aí é bobagem. Se prosperar, eu volto para praia. Eu estou tranquilo”, afirmou Mourão ao chegar ao Planalto após almoçar no Palácio do Jaburu, onde mora com a mulher, Paula.

Na avaliação de Marco Feliciano, Mourão está contradizendo Bolsonaro em diversos posicionamentos, como quanto ao aborto e ao pacote anticrime, e conspirando contra o mandatário para tomar seu lugar como presidente da República.

Marco Feliciano teria tomado a atitude de protocolar o pedido de impeachment após Mourão curtir um tuíte da jornalista Rachel Sheherazade em que dizia “Palestra do general Mourão em Harvard. Finalmente um representante do governo não nos causa vergonha alheia. Muito pelo contrário: o vice mostrou como ele e o presidente são diferentes: um é o vinho, o outro vinagre. Parabéns pela lucidez, general Mourão!”.

Outros casos que também teriam provocado a ação do deputado foi o fato de Mourão supostamente ter curtido uma fala de Sheherazade na rede social de que se sente muito mais segura de o país ser bem governado quando Bolsonaro sai do país, além de ter proferido palestra no Brazil Institute no Wilson Center, em Washington D.C.

Em texto anunciando a palestra, o instituto classificou os 100 primeiros dias da atual gestão como uma “paralisia política, em grande parte devido a sucessivas crises geradas pelo círculo íntimo do próprio presidente, senão por ele mesmo”. “Entre o barulho político, o vice-presidente Hamilton Mourão emergiu como a voz da razão e moderação, capaz de prover direção em questões domésticas e de política externa”, completava o texto.

Hoje mais cedo, ele repetiu que a decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) em mandar retirar do ar reportagem da Crusoé e do O Antagonista – afirmando que o presidente da corte, Dias Toffoli, teria sido apelidado de “amigo do amigo de meu pai” em e-mail da Odebrecht entregue por delator da Operação Lava Jato – foi “um ato de censura” isso aí.

Ele ainda acrescentou que na decisão do ministro do STF Alexandre de Moraes em emitir ordens de busca e apreensão contra investigados por supostas fake news o “bom senso não está prevalecendo”.

“Não quero tecer críticas ao Judiciário. Cada um sabe onde aperta os seus calos. Eu espero que se chegue a uma solução de bom senso nisso aí. Acho que o bom senso não está prevalecendo”, disse.

com Folha de SP